III Capitulo

15/04/2011 19:29


III-O menino do quadro;

 

Caminhei horas pelo aeroporto, pensando o que fazer da minha vida, e não cheguei a nenhuma conclusão.

Era 08 hrs 45 min quando passei pela terceira vez por um corredor que dava a um banheiro mais afastado _eu ia nele pra evitar o movimentos das pessoas, perdi as contas de quantas vezes lavei meu rosto e fiquei me olhando no espelho me perguntando o que faria da minha vida_ observado as paredes arruinadas daquela parte afastada do aeroporto, me perdi nos corredores, não me desesperei, depois de tudo o que havia passado naquele dia acho que nada mais podia me assustar.

Enquanto procurava uma forma de sair daquele lugar ia cada vez mais me perdendo, parecia que quanto mais eu andava mais velhas e antigas ficavam as paredes, eu passava por corredores de cor verde bem clarinho e desgastado, portas de madeira branca e velha, minha curiosidade por aquela parte muito estranha do aeroporto me fazia esquecer de meus problemas o que so me animava a continuar andando.

A partir de um certo ponto do corredor não havia luz e tinha grade velha e ai passou pela minha cabeça se poderia entrar ali mas não tinha nenhum cadeado e muito menos uma placa, parei imaginando se devia continuar, me virei pra traz imaginando como voltar, mas agora eu já nem sabia onde estava, não tinha ninguém ali,e resolvi entrar não deu trabalho pra arrombar  só havia um corredor longo cheio de portas dos dois lados, desejei uma lanterna, olhei pro celular em minha mão o liguei e o usei como lanterna, após alguns passos me perguntei o que teria atrás daquelas portas, caminhei pra uma a minha direita peguei na maçaneta, e tentei abrir estava trancada, ainda iluminando meu caminho com o celular, continuei andando ate que tive que escolher entre dois caminhos e escolhi o da direita por perceber que tinha um pouco de luz no fim do corredor, caminhei rápido implorando a Deus que fosse uma saída daquele lugar.

No fim do corredor tinha uma porta branca e velha, muito desgastada, a luz vinha de debaixo dela e estava piscando, pensei em abrir a porta mais senti medo, o que me fez me sentir uma tonta_ depois de tudo o que passei hoje nada devia me dar medo mais_  disse pra mim mesma, bati três vezes na porta, esperando que alguém abrisse.

Ninguém abriu.

Percebi que a maçaneta estava coberta por poeira olhei para os lados, nas paredes do corredor a minha volta tinha duas cadeiras uma de cada lado também cobertas por poeira, olhei pro chão e percebi a quantidade de poeira ali também olhei pra traz iluminando, com o celular e percebi que meus pés havia deixado marcas naquele chão imundo.

Voltei a olhar pra porta fechada, porque ninguém ia ali? Não ia ninguém ali nem pra limpar? Porque o aeroporto teria um lugar assim? Será que tinha alguém ali?

Bati três vezes de novo, novamente ninguém abriu.

Me aventurei a abrir a porta, um arrepio tomou meu corpo ao ouvir o ranger da porta.

 

Entrei pela porta a deixando aberta atrás de mim, o cômodo era pequeno tinha armários com grandes gavetas dos dois lados, acompanhando as paredes, na parede no fundo do quarto tinha uma janela grande e antiga,  muito suja e enferrujada, embaixo dela a esquerda tinha uma  bicicleta azul, e a direita tinha alguma coisa grande coberta por um tecido branco, muito sujo, caminhei ate ele na curiosidade de saber o que tinha ali em baixo, peguei o tecido e o levantei.

Ali em baixo do tecido tinha a figura de um menino, como se fosse uma imagem emoldurado, me olhando com um olhar curioso, a porta bateu atrás de mim  me fazendo virar em um susto, e ele estava ali atrás de mim, o menino do quadro, me olhando curioso, meu coração acelerou tanto que doía ao bater em meu peito, me virei de novo pro quadro querendo compara lo mais ele não estava mais ali, aquilo não era um quadro era um espelho e eu so podia me ver ali assustada, com medo, apavorada, podia ver o menino atrás de mim no reflexo do espelho, me olhando ainda curioso.

Me virei apavorada, minhas mãos tremiam e meu coração estava muito acelerado, por alguns minutos fiquei ali parada observando o menino em silencio, e ele permaneceu em silencio me olhando também sem parecer incomodado com minha presença.

Ele tinha minha altura, com a pele branca e os olhos de um azul incrível , cabelos lisos e desarrumados, boca carnuda e rosto arredondado, aparentava ter uns dezesseis, dezessete anos de idade, estava vestido com um casaco preto _que me pareceu um pouco antigo_ aberto, e por baixo parecia ter um uniforme que eu não conhecia, usava jeans e tênis all star, tinha as mãos fechadas em punho como se estivesse bravo, mais seu rosto estava sereno e calmo, seus olhos me olhavam curiosos do mesmo jeito que os meus deveriam estar olhando para ele, ele não me reparava da cabeça aos pés como eu, apenas meus olhos.eu fiquei nauseada, senti uma tontura, por um momento não senti mais minhas pernas, não senti mais nada, e tudo se escureceu...

 Quando abri os olhos novamente vi de novo aquele garoto estranho, tive que esperar alguns segundos ate me lembrar onde estava. O menino do quadro estava ali agachado ao meu lado me olhando com o olhar curioso exatamente como eu me lembrava, isso significava que  aquilo não era um sonho.

_Oi_ disse ele.

Eu não consegui responder.

_O que você esta fazendo aqui?_ sua voz era tão suave quanto a melodia de uma musica romântica, mas não me tranqüilizou_ você esta bem?Você ta muito pálida

_Eu..._ as palavras não saiam, eu tremia muito e minha garganta doía quando  tentava dizer algo.

Ele estendeu a mão em minha direção como se fosse colocá-la em meu rosto, me afastei assustada, me levantando daquele chão imundo.

_ Calma, eu não sou um fantasma!_ ele sorrio, seu sorriso era perfeito, ele era muito bonito, parecia ter saído de uma revista.

Talvez ele ser um fantasma explicaria o reflexo.

_Ta bom, já percebi que esta muito assustada_ ele deu um passo em minha direção e me estendeu a Mao mas eu recuei tentei levantar sozinha e a tontura apareceu de novo respirei fundo e consegui me erguer _ eu não vou machuca La, você é primeira que vem me ver em muito tempo.

Ele tinha razão, do que eu estava com medo? Ele era só um garoto, essa atitude era bem irracional, considerando tudo o que eu tinha passado hoje.

Pensar assim me tranqüilizou um pouco me dando coragem para falar.

_Porque você esta aqui? _ perguntei quase em um sussurro.

_Te faço a mesma pergunta.

_Por quê?_ perguntei curiosa, me sentindo cada vez mais tranqüila.

_Que motivos uma menina teria de vir ate aqui? _disse reforçando a palavra menina como se este lugar fosse proibido pra nos_ alias, ninguém aparece  desde que cheguei nesse lugar_ ele baixou a cabeça parecendo triste_  a alguns dias.

Olhei para as paredes, e o telhado mofado, os armários estavam completamente cheio de terra, sem nem se quer um sinal que alguém tivesse tocado, me imaginei presa em um lugar tão pequeno e sujo quanto aquele;

_Quantos dias exatamente?_ pensei por um momento que ele estivesse mentindo.

_Alguns... eu..._ ele não completou o que ia dizer, parecendo estar procurando as palavras certas pra dizer.

_E seus pais?_ perguntei o olhando agora eu já estava bem mais calma, meu coração ainda estava acelerado em meu peito, mais eu já não tremia.

_Eles morreram ano passado_ me respondeu triste.

Me arrependi de ter tocado no assunto. E me percebi acreditando nele, não achei que estaria mentindo.

Ele me olhou com o rosto tranqüilo e curioso novamente;

_Por que você ta com essa cara?_ perguntou-me, surpreendi com a pergunta e ainda mais com minha resposta.

_ E a única que tenho.

_Desculpa, por você ta branca e com os olhos fundos parece que não come a anos-ele riu.

E percebi como a minha barriga doía, e caiu a ficha de que eu não comia a dois dias

_Há dias!_eu ri

_Nossa! Acho ki foi o motivo do seu desmaio_ Vi seu olhar preocupado.

_Aonde vou arrumar comida nem sei aonde estou!_eu corei

--Experimenta procurar em sua mochila!_disse-me como se isso fosse uma coisa obvia.

Me lembrei que sempre carregava um pacote de bolachas em minha mochila a abri rezando para encontrar!

--Eureca!!!

--O que?_ele me perguntou assustado com a minha palavrinha.

--Encontrei minhas bolachas, então aqui não sei quanto tempo_ Comecei a devorá-las

_Mas... você ainda não me disse porque esta aqui_ voltou a falar me olhando comer.

_Me perdi... _falava entre cada mordida _ Nos corredores...

_Corredores?_falou assustado de repente

_É ..._respondi sem entender ainda comendo_ Alguma coisa errada?

Ele não me respondeu, ainda me olhando assustado.

_Por acaso eu não posso vir aqui?_ fiquei pasma com a atitude dele_ Eu não vi nenhuma placa dizendo Não Entre privado pro idiota der!

_Educada você hein?_disse rindo mais ainda assustado e meio preocupado.

_Por que essa cara de... Assustado?

_Você disse que se perdeu nos corredores vindo pra cá.

_E daí?

_Ainda estou no reformatório?_ perguntou assustado.

_Reformatório? _não fazia idéia se tinha reformatório nessa cidade.

_É o orfanato_ respondeu mais calmo_ Era um inferno aquele lugar.

Me perdi, nem sabia que tinha orfanato na cidade.

_Não agente ta no aeroporto.

_Por isso tanto barulho_ ficou pensativo_ por que será que me trouxeram pra cá?

_Não sei_ respondi me virando dando as costas pro garoto pra olhar para a bicicleta.

A bicicleta também estava cheia de poeira, toda hora tinha que reprimir minha vontade de espirar. A bicicleta tinha uma algo escrito, não parecia ser a marca, passei a minha mão por ela tirando a terra que a cobria, a deixando branca e minha mão imunda.

David, estava escrito na bicicleta.

_Meus pais me deram_ disse ele atrás de mim_ no meu ultimo aniversario_ completou.

Eu voltei a olhá-lo e ele sorrio também me olhando.

_É linda.

_Ainda não entendi, porque me trazer pra um aeroporto?

_Não faço idéia_ respondi voltando a olhar para a bicicleta.

_Como você se chama?

_Eliza_ voltei a olhar pra ele_ Eliza Sullivan, você é David ne?

_É David _suspirou e deu um belo sorriso antes de voltar a falar_ David Molina.

_Belo nome David_ eu falava observado o quarto e me perguntando como ele conseguira ficar tanto tempo ali sem deixar marcas em tanta poeira.

_Você parece triste Eliza _perguntou se aproximando mais de mim, por algum motivo desconhecido isso não me incomodava, era como se eu já o conhecesse_ aconteceu alguma coisa?

_Muita coisa David_ pensei se seria certo contar a ele sobre meus problemas pessoais e se ele me entenderia_ Acredite tenho bons motivos pra querer morrer.

_Você esta precisando de alguém pra ouvi-la?

_É..._ uma vontade insuportável de espirar veio em meu nariz, tive que esperar alguns segundos ate conseguir controlar_ acho que estou sim, ate agora ninguém com quem eu tenha tentado desabafar conseguiu me ouvir sem ficar entediado.

_Pode contar comigo, acredite sou bom nisso _parou um momento me olhando e continuou_ mas terá uma condição.

_Fale qual é.

_Também estou precisando de alguém que me ouça.

Não agüentei e espirrei.

_Bom..._ ri envergonhada_ acho que te ouvir vai ser bom pra mim, mais não aqui ta bom?

_Onde?

_Pode ser no aeroporto?

_Estamos no aeroporto, ne Eliza?_ perguntou ele rindo irônico.

_Digo_ pensei em uma resposta a altura_ na parte civilizada dele.

_Pode ser mas... você não disse que esta perdida?

_E estou..._ uma pontada de desespero me tomou_ agente não pode ficar preso aqui pra sempre ne?

_Bom talvez juntos consigamos encontrar a saída!!

_Podemos tentar.

Ele se afastou da porta me dando caminho ate ela.

_As damas primeiro.

_Que cavalheiro.

Abri a porta e passei por ela, pude sentir David vindo atrás de mim, dei alguns passos depois da porta e parei olhando para traz, David estava parado, assustado olhando o corredor.

_Tem certeza que não estamos no orfanato Eliza?_ perguntou assustado, me deixando preocupada.

_Claro David_ respondi me aproximando do garoto, tentando tranqüilizá-lo _Pelo menos não era um quando entrei.

_Esses corredores são idênticos...

_David calma_ eu começava a ficar assustada com a reação dele.

_Ha _respirou fundo, e começou a rir de si mesmo olhando pra baixo com a expressão envergonhada_ desculpe-me... e que... Não tenho boas recordações daquele lugar.

_Tudo bem David...

David não esperou que eu terminasse de falar, passou por mim andando olhando para as paredes, deu alguns passos e se voltou para mim.

_Posso garanti La que consigo sair daqui_ disse seguro do que falava.

_que bom_ passei por ele em direção ao corredor escuro, agora mais iluminado e sombrio graças as luzes do quarto onde David  estava preso que agora estava com a porta aberta_ Então vamos, antes que eu morra de espirar nessa poeira!

Ele riu de mim, me alcançando.

 
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